Seu filho apontar é um bom sinal de comunicação. Mas, se ele já deveria falar e ainda depende só disso, pode ser um sinal de alerta. “Ele aponta pra tudo.”, “Me puxa pela mão.”, “Mostra o que quer, mas não fala.”

Muitos pais ficam em dúvida: isso é bom… ou preocupante?
A resposta é: depende da fase da criança e do que mais está acontecendo junto com esse comportamento. Apontar é, sim, um marco importante do desenvolvimento.
Significa que a criança quer se comunicar, compartilhar atenção e interagir com o outro. Isso é positivo.
Mas o apontar não é o ponto final, é um passo antes da fala. Ou seja: a criança começa se comunicando com gestos… e, aos poucos, vai substituindo esses gestos por palavras. Quando essa transição não acontece, é aí que precisamos observar com mais atenção.
Então, quando o apontar é esperado?
Nos primeiros meses e até por volta de 1 ano, o uso de gestos é completamente natural. Entre 1 e 2 anos, a criança costuma usar gestos junto com algumas palavras. Com o tempo, a fala vai ganhando espaço e os gestos deixam de ser o principal meio de comunicação.
Agora, se a criança já tem mais de 2 anos e usa praticamente só o apontar, sem evoluir na fala, isso pode indicar que algo não está se desenvolvendo como deveria. Outro ponto importante: o tipo de apontar também diz muito.
Existe o apontar para pedir, quando a criança quer algo. E existe o apontar para compartilhar, quando ela mostra algo só para dividir aquele momento com você. Quando a criança apenas aponta para pedir, mas não busca interação, não olha, não compartilha interesse, isso merece atenção maior.
Por outro lado, quando ela aponta, olha para você, tenta dividir o momento, isso mostra uma intenção comunicativa mais rica. Mas ainda assim, a ausência da fala precisa ser acompanhada. Muitos pais acreditam que “já que ele aponta, está tudo bem”. E acabam esperando mais tempo do que deveriam.
Só que quanto antes a criança começa a desenvolver a fala, mais natural e rápida tende a ser a evolução. Outro fator muito comum é a criança ser compreendida sem precisar falar. Ela aponta, alguém entrega.
Ela puxa, alguém ajuda.
E, sem perceber, o ambiente acaba reduzindo a necessidade da fala. Mas atenção: isso não causa o atraso sozinho — apenas mantém a situação como está. O ideal é transformar essas situações em oportunidades de comunicação.
Por exemplo: Ao invés de entregar imediatamente, você pode esperar, olhar para a criança e estimular uma tentativa de fala, mesmo que seja simples. Nomear os objetos, repetir palavras no dia a dia e valorizar qualquer tentativa também fazem diferença.
Agora, quando procurar ajuda?
Se a criança:
- aponta, mas não fala
- tem mais de 2 anos e poucas palavras
- não combina palavras
- não tenta imitar sons
- ou demonstra frustração para se comunicar
vale a pena buscar uma avaliação. Um ponto importante para você guardar: Apontar é o começo da comunicação, não o objetivo final. A fala precisa vir depois. E quando essa evolução não acontece no tempo esperado, investigar cedo é o que faz toda a diferença no desenvolvimento da criança.
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📚 Livros que podem ajudar os pais a entender melhor o desenvolvimento da comunicação infantil
• “O Cérebro da Criança” — Daniel J. Siegel e Tina Payne Bryson
• “Desenvolvimento Infantil: Do Nascimento aos 6 Anos” — Maria Montessori
• “A Ciência de Ser Pai” — Margot Sunderland

Sobre o Autor
Matheus Davi de Souza Santos é fonoaudiólogo, com mais de 8 anos de experiência clínica e mais de 10 mil atendimentos realizados, atendendo pacientes de forma online em todo o Brasil e presencialmente em Jacareí-SP.
Além da formação em Fonoaudiologia, possui especialização em Fundamentos da Voz, Autismo, Voz de Canto e Crossover, além de formação complementar em Musicoterapia, unindo ciência, sensibilidade e estratégias terapêuticas humanizadas para estimular comunicação, expressão, desenvolvimento e qualidade de vida.
Neste blog, compartilha conteúdos profundos e acessíveis para pais, pacientes e profissionais que buscam compreender melhor temas ligados à fala, linguagem, desenvolvimento infantil e voz. Cada texto é pensado para unir conhecimento técnico, comunicação clara e acolhimento humano, respeitando a individualidade de cada pessoa e a importância de ser ouvido, compreendido e desenvolvido em todo o seu potencial.

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